Paraisópolis nasceu no bum industrial de São Paulo. Uma área que era uma antiga fazenda loteada, virou aos poucos, a moradia definitiva para cerca de 80 mil pessoas.
A fazenda loteada nos anos 20, aos poucos foi abandona pelos seus proprietários e os lotes passaram de dono pra dono, família a família, as quais foram se instalando e construindo sua moradia.
Muitos dos moradores que chegaram ali nos anos 60 e 70, vieram pra São Paulo de estados do Nordeste a procura de emprego principalmente na área de construção civil, setor que crescia vertiginosamente junto com a cidade de São Paulo.
Os arruamentos desenhados na época do loteamento se tornaram ruas, traçados que são respeitados - na medida do possível - até hoje. A ocupação se estende até a encosta de um morro, área de preservação e consequentemente de alto risco para a fixação de casas.
As moradias de Paraisópolis se relacionam intimamente com a expansão da cidade: à medida que São Paulo foi crescendo, aliado principalmente com a retificação do Rio Pinheiros, efetivação das represas Billings e Guarapiranga (ver Odette Seabra), as áreas localizadas no extremo sul da cidade foram sendo ocupadas, particularmente, pelo alto custo de vida que se esboçava nas áreas próximas ao local de trabalho, no centro da cidade.
As pessoas que encontraram em Paraisópolis um bom motivo para ficar, seja pelo baixo custo de vida, seja pela proximidade casa-trabalho, durante muito tempo ficaram carentes de infra estrutura urbana como esgoto, água encanada, fornecimento de energia elétrica, escolas, postos de saúde, hospitais, transporte coletivo.
O planejamento da cidade de São Paulo também se apresentava, nos anos 60 numa novela.
Volumes e volumes foram escritos, jogados no lixo, refeitos, reprovados até chegarmos ao modelo que vigorou até 2004. Até então, a cidade era regida por Planos pontuais, como o Plano de Avenidas de Prestes Maia e as marginais de Saturnino Britto. No final dos anos 60 temos a primeira versão de uma possibilidade de regularização da cidade: o Plano Diretor Integrado de Desenvolvimento de São Paulo, que configurou o zoneamento da cidade até 2004. Nele temos concretamente a definição da cidade em dois extremos as áreas de uso estritamente residencial e outra, do que chamaríamos hoje, de uso misto.
Esta retrospectiva é importante pois mostra como este instrumento foi fundamental em ditar a dinâmica dos extremos da cidade: quando falamos que as zonas residencias eram identificadas no Plano, falamos das áreas nobres da cidade que temiam a ocupação dos terrenos vizinhos por comércio e prédios comerciais, o que identificaria uma grande movimentação no entorno. Porém, nas ocupações que ocorriam na periferia, o uso dado era o misto, o que não identificava muito bem os critérios para tal classificação.
Sem um zoneamento claro, essas áreas por um lado foram se valorizando pelo processo de especulação imobiliária, por outro foram esquecidas pelo Estado em receber instrumentos públicos de melhoria urbanística. Culminando no que temos hoje, Paraisópolis, uma ocupação informal encravada num dos maiores redutos de moradia da classe média alta.
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Toda essa história vem de uma pesquisa feita na Secretaria de Desenvolvimento Urbano, no meu período de estágio entre 2008 e 2010 com a Geógrafa Olga Maria Soares e Gross.
Entre outras coisas, elaboramos o esqueleto da Agenda 21 da Cidade de São Paulo, avaliação das Áreas de Intervenção Urbana - AIU das subprefeituras de Socorro, Parelheiros e M'Boi Mirim, revisão do Plano Regional Estratégico dessas Subprefeituras, revisão do Plano Diretor Estratégico e apresentação das propostas de mudanças no zoneamento de São Paulo.
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